A Evolução Me Entristece - Baitaca

A Evolução Me Entristece

Baitaca


Minha cama, onde eu sesteio é o berço da tradição
Eu sou contra a evolução, preste atenção no que eu digo,
Conservo o sistema antigo e a nossa estampa campeira
Quem foi cria missioneira, segue essa estrada comigo

Aonde eu abro esse meu peito quem canta pouco se afasta
O modernismo se entrega sob os meus pés ele se arrasta
Eu sou a bandeira do Rio Grande, sou missioneiro e me basta.
Os gaúchos, de hoje em dia, esqueceram o campeirismo
Se entregaram ao modernismo, estão perdendo o apego
Quando carneiam um borrego, cortam a pele pelo meio
Botam em cima dos arreios uma garra de pelego.
Gauchada do Rio Grande, vamos se unir mais um pouco
Não usem bombacha estreita porque isso é traje pra louco
E o chapéu muito pequeno só serve pra juntar coco.

Tem jovem se destruindo e ainda pensa que é feliz
Respiram um pó no nariz já fica louco e se anseia
Bota uma argola na orelha que é pra enfeitar o esqueleto
Um silicone nos teto e um rabicó nas gadelha

Tem magrinho esgualepado, pensa que agüenta o repuxo
Só calça tênis de marca e veste terno de luxo
Se traja uma vez por ano e se considera gaúcho

Tem prendas no meu Rio Grande fugindo da nossa trilha
Bancando ser de família, usando roupa indecente
Só com uma tira na frente que um xucro vê e se apavora
Com quase tudo de fora não tem respeito que agüente

Domingo no CTG se atraca no barifum
Mas quando é Segunda-feira bota um vestuário comum
E desfila mundo afora mostrando perna e bumbum

O Valor Que Uma Mãe Tem - Baitaca

O Valor Que Uma Mãe Tem

Baitaca


O Valor Que Uma Mãe Tem

Pras crianças do Brasil e para os adultos também
Vou explicar a verdade não quero ofender ninguém
É um exemplo educativo pra um povo que quero bem
Com a moral eu me interço e eu quero mostrar em verso
O valor que uma mãe tem

Seja pobre ou seja rica, seja mãe branca ou pretinha
Ninguém é mais que ninguém é talher da mesma cozinha
Uma mãe vale um tesouro, dentro do lar é rainha
Sou xucro pior de que um potro eu respeito a mãe dos
outros
Porque eu dou valor a minha

Mãe é uma jóia sagrada das mais belas formosura
Umas passando trabalho e outras vivem na fartura
Trabalhando em escritório e outras na agricultura
É um sentimento profundo mais tem mãe rolando o mundo
Levando a vida insegura .

Uma mãe pobre padece pra poder ganhar o pão
Cria um filho ou uma filha com a maior educação
Do ventre de uma mulher foi que nasceu este peão
Pras mãe eu canto com jeito verso com calor e
respeito
Do fundo do coração

A todas mães desse mundo eu canto e dou garantia
Pra minha mãe eu dou carinho em vezes de rebeldia
Desejo as mãe dessa terra saúde, paz e harmonia
Pras mãe que foram pra o céu me ajoelho e tiro o chapéu
E rezo todos os dias

Aqui vou finalizando num jeito rude e gentil
Com minha consciência limpa que nem meu céu cor de anil
Mãe é palavra sagrada que a gente coloca o til
Num simples verso rimado deixo um abraço apertado
A todas mães do Brasil.

VÍDEO:

Nego bom não se mistura - Baitaca

Nego bom não se mistura

Baitaca


Eu nasci pra fazer verso
Cresci fazendo aventura
Já trabalhei no pesado
Fui peão de prefeitura

Quando comecei cantar
Tudo mudou de figura
Deixei pra trás o passado
Que é como diz o ditado

Nego bom não se mistura

Nego bom não se mistura
Deixei pra trás o passado
Que é como diz o ditado
Nego bom não se mistura

Tem coisas que não me agrada
Mas minha paciência atura
Não me lambuzo em melado
Nunca comi rapadura

Não gosto de mulher feia
Me dá remorso a feiura
Se elas falarem de mim
Eu respondo bem assim

Nego bom não se mistura

Nego bom não se mistura
Se elas falarem de mim
Eu respondo bem assim
Nego bom não se mistura

Pra mulher falo a verdade
Pode crer na minha jura
Não gosto de mulher magra
Perninha de saracura

Minha mulher é gordinha
Eu gosto só de fofura
Gosto muito do retouço
Minha vida é um colosso

E nego bom não se mistura

Nego bom não se mistura
Gosto muito do retouço
Minha vida é um colosso
E nego bom não se mistura

Se eu bebo fico "mabal"
Cinco ou seis não me segura
E quando chega a polícia
Dizendo ninguém te atura

Me recolhem pra'o xadrez
Me botam na pedra pura
Meu direito eu solicito
E eu quero ficar solito

E nego bom não se mistura

Nego bom não se mistura
Meu direito eu solicito
E eu quero é ficar solito
E nego bom não se mistura

No dia em que eu morrer
Façam festa com fartura
Não quero muita tristeza
Nem caixão de tábua dura

Quero bem curtinha as vela
Velório meio às escura
Me enterrem num campo aberto
Quero só gado por perto

E nego bom não se mistura

Nego bom não se mistura
Me enterrem num campo aberto
Quero só gado por perto
E nego bom não se mistura


História Do Tico Loco - Baitaca

História Do Tico Loco

Baitaca

Conheci um tipo, apelidado de Tico
Gostava de meter o bico em baile, festa e carrera
Torto, careca, tipo grosso e tabacudo
Fedorento e cabeçudo e tudo levado a casqueira

Analfabeto, mal vestido e sem valor
Metido a conquistador, apaixonado por fandango
Tomava um trago e depois que se embriagava
Pagava a entrada e entrava e já seguia esculhambando

Te acalma Tico, por favor te ajeita Tico
Que a mulherada promete te dar o fim
Tipo tarado, enxerga mulher já se avança
Vá pedi pro segurança agarrá o Tico pra mim

Te acalma Tico, por favor te ajeita Tico
Ache uma prenda que te tape de carinho
Tu reconheça que tem que criá respeito
Se continuar deste jeito tu vai acabar sozinho

O Tico véio é desses criado em bombacha
Bebe um pouco e se emborracha e começa a fazer folia
Até nos quarto, Tico vem e Tico vai
E naquele entra e sai, incomoda até clariá o dia

Num canto escuro que o segurança não viu
O bagaceira cuspiu nas pernas de uma senhora
Pois só Deus sabe a vergonha que eu passei
Embrabeci e me invoquei, tirei o Tico pra fora

Te acalma Tico, por favor te ajeita Tico
Vê se me entende, por incrível que pareça
Vi uma mulher gritar no meio do povo
Que se tu entrar de novo te dá um táio na cabeça

Te acalma Tico, por favor te ajeita Tico
Ache uma prenda que te tape de carinho
Tu reconheça que tem que criá respeito
Se continuar deste jeito tu vai acabar sozinho

Lá pelas tantas o Tico se revoltou
Embrabeceu e levantou, tipo lacaio e fiasqueiro
Chamou o porteiro de beiçudo e boca-torta
Escarrou grosso na porta já loco pra entrar pra dentro

Disse o porteiro, índio de muita coragem
Já falei com a patronagem, aqui tu não volta mais
Se revoltaram e fizeram-lhe um tempo quente
Cuidavam o Tico na frente e o Tico entrava por trás.

Te acalma Tico, por favor te ajeita Tico
Garra capricho e não me volta mais pra sala
Que eu já rezei pedindo perdão pra Cristo
Porque eu nunca tinha visto um tipo da tua igual

Te acalma Tico, por favor te ajeita Tico
Ache uma prenda que te tape de carinho
Tu reconheça que tem que criá respeito
Se continuar deste jeito tu vai acabar sozinho

VÍDEO:

Do Fundo Da Grota - Baitaca

Do Fundo Da Grota

Baitaca


(Mateando ao pé do borraio
Conto causos e anedota
E o fogo véio campeiro
Me aquenta o bico da bota
E pra cantar o Brasil inteiro
Venho do fundo da grota)

Fui criado na campanha
Em rancho de barro e capim
Por isso é que eu canto assim
Pra relembrar meu passado
Eu me criei arremendado
Dormindo pelos galpão
Perto de um fogo de chão
Com os cabelo enfumaçado

Quando rompe a estrela D'alva
Aquento a chaleira
Já quase no clariá o dia
Meu pingo de arreio
Relincha na estrebaria
Enquanto uma saracura
Vai cantando empulerada

Escuto o grito do sorro
E lá no piquete
Relincha o potro tordilho
Na boca da noite
Me aparece um zorrilho
Vem mijá perto de casa
Pra enticar com a cachorrada

Numa cama de pelego
Me acordo de madrugada
Escuto uma mão-pelada
Acuando no banhadal
Eu me criei xucro e bagual
Honrando o sistema antigo
Comendo feijão mexido
Com pouca graxa e sem sal

Quando rompe a estrela D'alva

Escuto o grito do sorro
E lá no piquete
Relincha o potro tordilho
Na boca da noite
Me aparece um zorrilho
Vem mijá perto de casa
Pra instigá com a guaipecada

Reformando um alambrado
Na beira de um corredor
No cabo de um socador
Quas mão brotiada de calo
No meu mango eu dou estalo
E sigo a minha campeirada
E uma perdiz ressabiada
Voa e me espanta o cavalo

Quando rompe a estrela D'alva

Lá no centro do capão
O subiar de um lambú
Numa trincheira o jacú
Grita o sabiá nas pitanga
E bem na costa da sanga
Berra a vaca e o bezerro
No barulho dos cincerro
Eu encontro os bois de canga

Quando rompe a estrela D'alva

Milonga pra ti - Os Monarcas

Milonga pra ti

Os Monarcas


Quando te vejo guria meu coração emudece
Sinto a sensação radiante da lua, quando aparece
A luz que vem dos teus olhos embriaga o meu olhar
Me faz buscar a tua mão e sair por aí passear

(Tua voz, som que fascina, como o cantar da araponga
Que busco em vários acordes, num dedilhar de milonga

O mundo é do teu tamanho quando caminho ao teu lado
Satisfazes plenamente meus sonhos de namorado
Cada um de teus sorrisos me banha de tanto encanto
Inspiração permanente desta milonga que canto

Perto de ti sou ventura, longe de ti pensamento
Sorvendo a tua saudade, pelo tiritar do vento
Quero me casar contigo trazei-la pra meu jardim
E ter sempre esta milonga vibrando dentro de mim

Brasil De Bombacha - Os Monarcas

Brasil De Bombacha

Os Monarcas


"Após muito tempo guardando
Os limites do Sul do Brasil
O gaúcho migrou para o Norte
E do Norte mudou o perfil

Deixou para traz a campanha
E a beleza dos campos dourados
E se foi a buscar nova vida
Numa terra de mato fechado

Este é o Brasil de bombacha
É a saga da raça guerreira
Nos fundões sesta pátria se acha
Um gaúcho abrindo fronteira

Só quem parte é quem sabe da dor
de deixar o seu pago e sua gente
As lembranças rebrotam ao redor
Só o forte consegue ir em frente

Nos pessuêlos vão laços de afeto
E a honra de ser o que são
Os centauros da banda do Sul
Povo guapo criado em galpão

Ao chegar no torrão de seu gosto
vão semeando alegria e respeito
O trabalho em seguida da fruto
E o fruto é um consolo pro peito

Mate quente ou mate gelado
Chimarrão ou então tererê
Os costumes vão sendo mesclados
Num País com sotaque de tchê

Quando bate a saudade Daninha
Nos gaudérios tão longe de casa
A cordeona resmunga num rancho
E o churrasco respinga na brasa

No alicerce de algum CTG
O Rio Grande campeiro floresce
Aos gaúchos de alma pioneira
Comovido o Brasil agradece"

Santuário de Xucros - Os Monarcas

Santuário de Xucros

Os Monarcas



Assim começa o surungo mesclando fumaça e poeira
Porta do quarto entupida e a mulherada em fileira
Branca morena e mulata casada viúva e solteira
Loucas pra coçar o garrão num manquejar de vaneira

(E nisso se ouve um grito indiada vocês me ouçam
Dá uma folguita pros velhos e saiam de riba das moça)

Feito de cinza e cupim no chão batido da sala
Piso bom igual aquele granfino nenhum iguala
Santuário da tradição da xucra raça baguala
Parede de pau-a-pique guincha furada de bala

E assim num torcer de queixo se guasqueia um contrapasso
Desses de torrar badana numa tarde de mormaço
E o chinaredo de gruda igual pepino no barasco
Vão empurrando as paletas e retovando os espinhaço

E quando o zóio da lua vem me bombear nesse rancho
Na cordeona duas falas numa vaneira eu remancho
Raiz de cerne pampeano o qual o tronco eu me arrancho
No lombo do verso xucro com capricho eu me esgancho

A meia noite uma polca pra damas pra um arremate
Pra ver quem gosta de quem e o verso faz o combate
Depois vão lá pra cozinha pra descansar o alcatre
Pra comer feijão e mexido e guerrudo com chá de mate

VÍDEO: 

Rancheira Puladinha - Os Monarcas

Rancheira Puladinha

Os Monarcas



Vamos dançar essa rancheirinha
Bem puladinha pelo salão
Peão e prenda marcando passo
Bem no compasso do coração

Pula, pula, pula chinoca
Pula, pula, pula peão

Na sala faz um trenzinho
Peão e prenda se dando as mãos
Pra fechar a porteirinha
Batendo forte com o pé no chão

VÍDEO:


Xote Laranjeira - Os Monarcas

Xote Laranjeira

Os Monarcas

Mas deixa estar que eu vou-me embora
Eu vou voltar pro meu rincão
Pra beber água dos teus olhos
Sangue do teu coração

Mas deixa estar que eu vou-me embora
Eu vou voltar pro meu rincão
Que é pra comer churrasco gordo
E tomar mate chimarrão

Mas deixa estar que eu vou-me embora
Eu vou-me embora pra fronteira
Que é pra comer churrasco gordo
E tomar café de chaleira

Mas deixa estar que eu vou-me embora
Eu vou-me embora pra fronteira
Mas eu hei de levar comigo
Este xote laranjeira

Pula daqui pula de lá
Pula do canto
Que eu daqui não me levanto
Tô danado pra brigar

DESTAQUES