Xote Laranjeira - Os Monarcas

Xote Laranjeira

Os Monarcas

Mas deixa estar que eu vou-me embora
Eu vou voltar pro meu rincão
Pra beber água dos teus olhos
Sangue do teu coração

Mas deixa estar que eu vou-me embora
Eu vou voltar pro meu rincão
Que é pra comer churrasco gordo
E tomar mate chimarrão

Mas deixa estar que eu vou-me embora
Eu vou-me embora pra fronteira
Que é pra comer churrasco gordo
E tomar café de chaleira

Mas deixa estar que eu vou-me embora
Eu vou-me embora pra fronteira
Mas eu hei de levar comigo
Este xote laranjeira

Pula daqui pula de lá
Pula do canto
Que eu daqui não me levanto
Tô danado pra brigar

Chimarrão - Os Monarcas

Chimarrão

Os Monarcas


(Eu quero um chima, um chima chimarrão
Bis
Pra matar a sede, da tradição)

Chimarrão lá na cozinha
É de relacionamento
Bis
Pra cevar o pai da moça
A consentir o casamento

Chimarrão já é gostoso
Mais gostoso ainda fica
Se é cevado e servido
Por mão de moça bonita

Cheiro de Galpão - Os Monarcas

Cheiro de Galpão

Os Monarcas



(Com este tranco dos Monarcas,
vamos levando esse cheiro de galpão
por este Brasil afora)

Esta vaneira tem um cheiro de galpão
Que reacende o meu olfato de guri
É pau-de-fogo da memória dos fogões
Essência bugra que me trouxe até aqui

Essa vaneira tem um cheiro chimarrão
De seiva xucra derramada no braseiro
Quando a fumaça do angico se mistura
Com um odor de figueirilha no palheiro

Esta vaneira tem um quê de quero mais
Que reativa um paladar que já foi meu
Relembra a rapa da panela que furou
E no cantinho da memória se perdeu

Esta vaneira tem sabor de araçá
Jabuticaba, guabiroba, ariticum
Por isso lembro o tempo bueno de piá
Enlambuzado de pitanga e guabiju

Esta vaneira tem um dom de reviver
Fazer as cores que o tempo desbotou
Sentir as formas que o tato esqueceu
E ser de novo o que eu fui e já não sou

Esta vaneira tem um quê de nostalgia
Que traz de volta o romantismo do cantor
Revigorando um coração que endureceu
E não queria mais ouvir falar de amor

Esta vaneira tem um quê de quero mais
Que reativa um paladar que já foi meu
Relembra a rapa da panela que furou
E no cantinho da memória se perdeu

Esta vaneira tem sabor de araçá
Jabuticaba, guabiroba, ariticum
Por isso lembro o tempo bueno de piá
Enlambuzado de pitanga e guabiju

À Cavalo Na Sorte - Os Monarcas

À Cavalo Na Sorte

Os Monarcas


É na doma que se apega a fúria com a valentia
o domador não tem trégua enquanto égua der cria
quem monta deve saber que a doma não tem retovo
se cair pode morrer, se viver monta de novo.

Ando a cavalo na sorte, sem norte sem adereço
Não negocio com a morte, porque a vida não tem preço
Eu sei que um dia me vou, mais ainda é muito cedo
Tenho potros prá domar, na província de São Pedro

(Gineteando talvez morra na desforra de amansá-los
Minha vida é uma gangorra no lombo desses cavalos
Minha vida é uma gangorra no lombo desses cavalos)

Lá nos vamos campo afora corcoveando ao Deus dará
Quanto mais lhe cravo a espora mais corcovia o bicho dá
Beija o céu cutuca o chão que sobe e desce danado
É triste a vida do peão no lombo dum aporreado

No lançante morro abaixo a morte me pisca o olho
É aí que um índio macho coloca a barba de molho
Aposto tudo na sorte nesta disputa renhida
O diabo amadrinha o morte mas Deus me protege a vida

Batendo Água - Os Monarcas

Batendo Água

Os Monarcas

Meu poncho emponcha lonjuras batendo água
E as águas que eu trago nele eram pra mim
Asas de noite em meus ombros sobrando casa
Longe "das casa" ombreada a barro e capim


Faz tempo que eu não emalo meu poncho inteiro
Nem abro as asas da noite pra um sol de abril
Faz muitos dias que eu venho bancando o chimbo
Das quatro patas do zaino pechando o frio

[Troca um compasso de orelhas a cada pisada
No mesmo tranco da várzea que se encharcou
Topa nas abas sombreras, que em outros ventos
Guentaram as chuvas de agosto que Deus mandou]

Meu zaino garrou da noite o céu escuro
E tudo o que a noite escuta é seu clarim
De patas batendo n'água depois da várzea
Freio e rosetas de esporas no mesmo trim


Falta distância de pago e sobra cavalo
Na mesma ronda de campo que o céu deságua
Que tem um rumo de rancho pras quatro patas
Bota seu mundo na estrada batendo água


[Porque se a estrada me cobra, pago seu preço
E desabrigo o caminho pra o meu sustento
Mesmo que o mundo desabe num tempo feio
Sei o que as asas do poncho trazem por dentro]

VÍDEO: 

Vaneira Grossa - Os Monarcas

Vaneira Grossa

Os Monarcas


Essa vaneira é antiga
E vem da fronteira
O autor não se sabe
Mas é de primeira

Me toque a vaneira grossa
Me apinchou na sala
Num trote de guapo
A gaitita me embala

E não existe mais grossa que essa vanera
Na manhã de ganso
Vou na polvadeira
Menina dance comigo
Que é do meu agrado
A vanera grossa
Do jeitão largado

Recordo os tempos passados
Que morei na roça
Vovô já tocava
A vaneira grossa
Mas hoje os tempos mudaram
Ficou a saudade
Mas trouxe a vaneira
Morar na cidade

Vaneira que o povo canta
E aprende a dançar
Em qualquer bailanta
Chegou pra ficar
E no fandango monarca
Bailando a contento
Vaneira é uma marca
Que faz casamento.

Sistema Antigo - Os Monarcas

Sistema Antigo

Os Monarcas


Um pouco de saudade lá do meu rincão
Um gesto de carinho da gaúcha amada
Um toque de cordeona e um bom chimarrão
Um quera pacholento pra contar cueradas

Eira eira boi tempo feliz que muito longe vai
Eira eira boi no velho rancho do meu velho pai

Antigamente se carneava um boi
Se convidava toda a vizinhança
Era uma festa de violão e gaita
Lá pelas tantas começava a dança
E gauchada pela noite afora
Faziam farra ate romper a aurora

Eira eira boi tempo feliz que muito longe foi
Eira eira boi tempo feliz que muito longe foi

Quem se criou pelo sistema antigo
Cá na cidade vive inconformado
E quando encontra algum gaúcho amigo
Fala de tudo que lembra o passado
Canta saudade do gorjeio triste
Lembra do tempo que já não existe

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O Vento - Os Monarcas

O Vento

Os Monarcas


Num mundo com tantas doenças. O povo com pouca crença. Eu venho pedir cantando em sentimento e versos, eu venho pedir ao vento dar uma volta no universo. (Meditação).

Pedi ao vento que leve lembrança pra minha terra.
Pedi ao vento que leve paz, aonde tem guerra.
Pedi ao vento que leve fartura onde tem miséria.
Pedi ao vento que leve um beijo nos lábios dela.

O Vento foi,
O Vento vem,
Será que o vento já me atendeu?
Só resta agora você me entender,
Que esse vento é o nosso Deus!

Pedi ao vento que salve os jovens perdidos nas drogas.
Pedi ao vento que espalhe no céu o perfume das rosas.
Pedi ao vento que toda a nação seja gloriosa.
Pedi ao vento proteção aos filhos da mãe amorosa.

O Vento foi,
O Vento vem,
Será que o vento já me atendeu?
Só resta agora você me entender,
Que esse vento é o nosso Deus!

Pedi ao vento pra acalmar as ondas dos sete mares.
Pedi ao vento que leve harmonia a todos os lares.
Pedi ao vento que leve embora a impureza dos ares.
Pedi ao vento em orações que fiz nos altares.

O Vento foi,
O Vento vem,
Será que o vento já me atendeu?
Só resta agora você me entender,
Que esse vento é o nosso Deus!

Pedi ao vento pra nos conduzir na estrada da vida.
Pedi ao vento que encontre a criança desaparecida.
Pedi ao vento que dê ao doente conforto e guarida.
Pedi ao vento que a minha prece seja ouvida.

O Vento foi,
O Vento vem,
Será que o vento já me atendeu?
Só resta agora você me entender,
Que esse vento é o nosso Deus!

VÍDEO: 

Passa Fora Jaguarada - Os Serranos

Passa Fora Jaguarada

Os Serranos


Abra a cancha gringaiada que sou dono do rodeio
Vim aqui pra botar freio nos que são da outra banda
Demonstrar que aqui manda o bugio com seu floreio
Que na essência puro agrdo de nascença bugio macho
Não tem reza nem despacho que me tire essa tenência
Sou campeiro, pura essência e ninguém em quebra o cacho

Vai pra puta que pariu, grita lato seu bugio
A mensagem que se solta na cordeona, corpo mole
Abre o fole, fecha o fole troca o tranco, vai e volta;
Abre o fole, fecha o fole troca o tranco, vai e volta.

Gauchada que me sigam na união do mesmo passo
Não dance noutro compasso, não passe por maturango
Empunhe facão e mango e lute por seu espaço
E os de fora que se cuidem que o bugio já tá cansado
De ficar só com o trocado quando outros levam tudo
E no mais faz ficar mudo pros que estão do outro lado

Parceiros de Campo - Os Serranos

Parceiros de Campo

Os Serranos

Um boi se desgarra da tropa que estende e vira a cabeça direito ao capão
Convido o cavalo que pronto me atende e sai arrancando o capim e torrão
Assim corto o rastro do boi que se apura e o laço certeiro me voa da mão
Se aninha nas aspas, a cincha segura e o flete conhece o serviço do peão

(É doce de boca domado a preceito
Do andar das crianças e até do patrão
É manso e tranqüilo mas sempre de jeito
Se acaso lhe toca correr boi gavião)

Então desencilho o crioulo gateado que chega faceiro por ver o galpão
Enfim resfolega de lombo suado a lida comprida e as rédeas no chão
É o pingo crioulo que segue na estrada bandeira do pago, fiel tradição
Heráldico flete que pelas manadas resiste tal fosse um gaudério brasão

São esses cavalos que a ida nos leva
Heróis esquecidos nessa evolução
Parceiros de campo que o tempo maleva
Reponta em silêncio além do rincão



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